Construindo um saber “demasiado humano”?: processos de transformação, (auto) reflexão e comunicação pública da ciência na exposição do museu Espaço do Conhecimento UFMG

Dissertação de Mestrado Acadêmico

Autor(es)

Ana Carolyna Gonçalves Barboza (Barboza, Ana Carolyna Gonçalves) / acarolyna16@gmail.com

Programa de Pós-graduação em Comunicação Social

Área de conhecimento

COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO MIDIÁTICA

Orientador(es)

Verônica Soares da Costa

Banca Examinadora

Ivone de Lourdes Oliveira ( PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS )

Natália Amarinho Nunes ( UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS )

19/03/2026


Construindo um saber “demasiado humano”?: processos de transformação, (auto) reflexão e comunicação pública da ciência na exposição do museu Espaço do Conhecimento UFMG

Palavras-chave em Português

Comunicação pública da ciência

Confluências afro-indígenas

Espaço do Conhecimento UFMG

Interações comunicacionais

Museus universitários

Este trabalho versa sobre o museu universitário Espaço do Conhecimento UFMG e sua exposição de longa duração, intitulada demasiado humano, que recebeu atualizações conceituais e manutenções após um projeto de renovação executado entre 2023 e 2026, com a colaboração do líder quilombola e filósofo Antônio Bispo dos Santos (conhecido como Nêgo Bispo) e do líder indígena e filósofo Ailton Krenak. O objetivo é compreender as concepções de ciência comunicadas pela versão renovada da exposição, a partir das interações entre os públicos e os conteúdos expostos no museu. O referencial teórico se concentra nas dinâmicas interacionais de circulação e (re)construção de sentidos no ambiente museal e nas exposições como forma de comunicação pública da ciência. A pesquisa também se aprofunda nos diálogos epistemológicos e nas dimensões de colonialidade que circundam a elaboração e a divulgação do conhecimento. O percurso metodológico toma forma a partir de um circuito de interações, relativo à exposição demasiado humano, inspirado pelo modelo dos estudos culturais de Johnson (2004) e pelo quadro relacional da comunicação (França, 2001), buscando evidenciar a ciência como prática social, imbricada em contextos, relações e subjetividades. A coleta de dados se realiza por meio de pesquisa documental e entrevistas individuais semiestruturadas em profundidade com membros da equipe do museu e visitantes espontâneos. Já a interpretação do material coletado conta com a Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001), atravessada pelas perspectivas epistemológicas latino-americanas e pela interseccionalidade, em uma travessia composta pelas categorias analíticas de Tempo, Ancestralidade, Território e Humano. Os resultados demonstram que a exposição comunica uma concepção da ciência moderna ocidental, partindo de uma perspectiva hegemônica, ao mesmo tempo em que apresenta ao público uma concepção pluriversal do conhecimento, embasada pelas confluências e culturas afro-indígenas. O discurso da exposição, ainda que permeado por assimetrias, suscita possibilidades de pensar e comunicar a ciência por meio de uma coexistência entre diferentes interpretações e relações com o mundo. Nesse sentido, a construção de um saber “demasiado humano” pode ser definida pela contradição e pela ambivalência que acompanham a humanidade em suas criações, decisões e convicções.


Building a “overly human” knowledge?: processes of transformation, (self) reflection and public communication of science in the exhibition at the Espaço do Conhecimento UFMG museum

Palavras-chave em Inglês

Afro-indigenous confluences

Communicational interactions

Espaço do Conhecimento UFMG

Public communication of science

University museums

This work focuses on the university museum Espaço do Conhecimento UFMG and its long-term exhibition, entitled demasiado humano, which received conceptual updates and maintenance following a renovation project carried out between 2023 and 2026, with the collaboration of the quilombola leader and philosopher Antônio Bispo dos Santos (known as Nêgo Bispo) and the indigenous leader and philosopher Ailton Krenak. The objective is to understand the conceptions of science communicated by the renewed version of the exhibition, based on the interactions between the publics and the contents exhibited in the museum. The theoretical framework focuses on the interactional dynamics of circulation and (re)construction of senses within the museum environment and on exhibitions as a form of public communication of science. The research also delves into epistemological dialogues and the dimensions of coloniality that surround the production and communication of knowledge. The methodological approach takes shape through a circuit of interactions related to the demasiado humano exhibition, inspired by Johnson’s (2004) cultural studies model and the relational framework of communication proposed by França (2001), seeking to highlight science as a social practice embedded in contexts, relationships and subjectivities. Data collection is carried out through documentary research and in-depth semi-structured individual interviews with museum staff members and spontaneous visitors. The interpretation of the collected material draws on Critical Discourse Analysis (Fairclough, 2001), traversed by Latin American epistemological perspectives and intersectionality, in a journey composed of the analytical categories of Time, Ancestry, Territory, and Human. The results demonstrate that the exhibition communicates a conception of modern Western science from a hegemonic perspective, while simultaneously presenting the public with a pluriversal conception of knowledge, grounded in afro-indigenous confluences and cultures. The exhibition’s discourse, although permeated by asymmetries, raises possibilities for thinking about and communicating science through the coexistence of different interpretations and relationships with the world. In this sense, the construction of a “overly human” form of knowledge can be defined by the contradiction and ambivalence that accompany humanity in its creations, decisions, and convictions.


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